domingo, 22 de junho de 2008


Deserto


Acordei nua de vida,

sou hoje meu próprio deserto,

sumiram todos os sonhos,

não tenho mais pensamentos,

sufocado,

cortei o suspiro ao meio,

fui omissa durante todo o tempo,

ainda duvido e me pergunto agora,

se tanto me queres

por que o silêncio em meu coração?


Ouço revelações em meus sonhos,

sinto a ausência de seu corpo,

imagino minhas mãos moldando suas linhas,

a todo momento vem o arrepio de saudade,

fica aquela dor contínua e persistente da falta,

não sei mais o seu gosto,

o seu cheiro,

porque violentei tanto minha paixão.


Lembro hoje as carícias,

a ternura,

seus olhos brilhando e refletindo calma,

vôo rasante em minhas memórias,

vejo homens,

lugares e nada de você,

não consigo gritar,

minha voz foi sufocada pela sede de amar,

roubaram meus sentimentos,

agora faço companhia a minha solidão,

minha pele está ressecada sem seus beijos,

estou perdida,

não consigo mais levantar.


As lágrimas ainda salgam meu rosto maduro,

não sou mais a rebelde,

a amante,

esvaziei meus sonhos,

estou inerte,

morri por minha inquietude,

minha pressa,

esqueci das promessas,

dos compromissos aceitos,

quero jurar e não encontro meu Deus,

preciso de perdão e não tenho a quem pedir,

deito agora sobre a areia grossa de meus pecados,

acabo assim...

virei o deserto de meu coração.

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