domingo, 22 de junho de 2008


Minha agonia


Passo por você e por todos,

pela vida como em outras vidas,

deixo aqui o meu coração sem amor,

sinto o vazio,

o fracasso,

sou a agonia dos sem amores.


Não tenho como voltar,

deixei sua casa,

seu coração,

não é mais carinho feito,

saí por outra porta e fui,

sou mulher sem medo de perder,

sem juízo para andar por paixões estranhas,

fiquei com tudo seu parado no peito,

vou ser onda,

não quero ser mar,

vou ser vento,

não preciso ser a tempestade,

sou a paixão bruta,

não quero ser o amor.


Passam dias, anos, minutos e mais,

não vai sofrer nem perceber a minha agonia,

voltarei por outros mundos,

por outros meios que não o seu,

o amor vai ser o mesmo,

terei nova cara,

nunca vai ter outra como fui sua,

quero ser o que importa no meu coração,

não sei quando,

não desisto.


Mesmo em agonia tenho vida,

tentarei ser o céu,

só então encontrarei minha estrela,

não teremos sol,

mas vamos ter luz,

quem sabe iluminando a paixão

faça virar amor.

Deserto


Acordei nua de vida,

sou hoje meu próprio deserto,

sumiram todos os sonhos,

não tenho mais pensamentos,

sufocado,

cortei o suspiro ao meio,

fui omissa durante todo o tempo,

ainda duvido e me pergunto agora,

se tanto me queres

por que o silêncio em meu coração?


Ouço revelações em meus sonhos,

sinto a ausência de seu corpo,

imagino minhas mãos moldando suas linhas,

a todo momento vem o arrepio de saudade,

fica aquela dor contínua e persistente da falta,

não sei mais o seu gosto,

o seu cheiro,

porque violentei tanto minha paixão.


Lembro hoje as carícias,

a ternura,

seus olhos brilhando e refletindo calma,

vôo rasante em minhas memórias,

vejo homens,

lugares e nada de você,

não consigo gritar,

minha voz foi sufocada pela sede de amar,

roubaram meus sentimentos,

agora faço companhia a minha solidão,

minha pele está ressecada sem seus beijos,

estou perdida,

não consigo mais levantar.


As lágrimas ainda salgam meu rosto maduro,

não sou mais a rebelde,

a amante,

esvaziei meus sonhos,

estou inerte,

morri por minha inquietude,

minha pressa,

esqueci das promessas,

dos compromissos aceitos,

quero jurar e não encontro meu Deus,

preciso de perdão e não tenho a quem pedir,

deito agora sobre a areia grossa de meus pecados,

acabo assim...

virei o deserto de meu coração.

Fui


Fechei a porta atrás de você,

colei o tal bilhete,

não tem nada escrito,

ficou como meu coração,

em branco,

foi tudo que deixou em mim,

de tudo,

só eu fiquei .


Estou indo embora,

mudei de corpo,

de cor,

de música,

acho que até já mudei de você,

estou bem ali,

fora, correndo,

fica um pouco mais longe,

foi assim que chegou e foi assim.


Não deixe a saudade ligar pra mim,

diz a ela que me esqueceu,

corra de mim com seu coração,

vá por outros caminhos,

talvez até consiga sofrer,

faça como eu...

fui embora de você.

Ponte


Sou metade ponte,

metade espaço,

pedaços soltos de carne e vida,

sou ponte esperando pela sua metade,

rastros apagados à beira do abismo.


Minha alma é parte de concreto espalhada,

um corpo dividindo milhares de sentimentos,

cada inteiro é metade,

cada metade se fará inteira com outrem.


Espero deste lado da minha metade ponte,

até que outra parte complete a estrutura,

poderei então sentir a alma e o vento,

abrindo caminhos além dos sentidos,

além da vida.

Viva os homens


Viva os homens, por existirem.

Viva os homens,

por nos darem motivos para sermos mulheres.

Viva os homens,

que fazem a diferença ser tão especial!

Viva os homens,

que são obrigados a sufocar o choro

para não parecerem menos homens,

que são levados a trabalhar como escravos

porque alguém falou que

é deles a obrigaçãode sustentar as mulheres.

Viva os homens,

os primeiros a morrerem nas guerras,

os que pegam no pesado

porque alguém disse que mulheres

são muito delicadas para tarefas mais árduas.

Viva os homens,

que dispensam maquiagem

e não precisam lambuzar-se de batom

ou esmalte de unha vermelho.

Viva os homens,

que não precisam amargar horas no salão de beleza

nem gastar rios de dinheiro

em boutiques e "grifes"

só para parecerem mais "fashion.

"Viva os homens

cujas armas de sedução vão

além da simples aparência

e dispensam cremes anti-celulite.

Viva os homens

que conseguem ser amigos uns dos outros

sem disputas,

sem fofocas e sem intrigas.

Viva os homens,

que nos fazem admirar o belo e o forte

e que nos permitem parecermos mais belas.

Viva os homens, porque sem eles

não teria graça nenhuma ser mulher.

E viva os homens,

porque todos os dias são deles.

Viva os homens

porque são homens.

Tem seu cheiro especial

Toque fenomenal

Braços fortes.

Quando amam

amam mesmo

São sempre lindos..e...

Mesmo grisalhos.

Conservam seu charme.

Crepúsculo


Hoje não estou triste,

apenas pensativa,

não é tão tarde para sonhar,

ainda não é o crepúsculo,

preciso conhecer este teu novo mundo,

acredito nele,

não sei onde estava,

não sei por onde procurar,

quem sabe uma janela entreaberta no meio do corpo.


Hoje acordei em um vazio de minha alma,

não lembro outras noites,

não me lembro amante,

estou triste,

um pouco agora quando acordei,

sempre que as lágrimas tentam me avisar já está tarde,

não tenho agora nenhum pedaço de sol para me aquecer.


Hoje um estranho azul pintou meu céu,

não o meu azul,

não aquele que fez festa quando bateu a minha porta,

feriu os olhos tal brilho fosco de alegria,

saudade?

Talvez preciso mudar minha confiança,

mudar de meu corpo,

voltarei noutra noite,

menos perdida,

menos louca.


Hoje o sol não viu a lua,

não vi o sol,

não senti teu corpo,

o vento não mudou o ritmo do meu mundo,

não existe tempo,

quando longe minha mente foge das lembranças,

como se fosse a morte chegando devagar mostrando dentes famintos,

então sinto que me perdi entre um e outro poente.


Hoje quero milhares de mãos fazendo festa em meus cabelos,

tentarei ver as pessoas como simples pessoas,

sem fantasias,

preciso não ferir meu coração,

não agora,

sou estatua de carne,

nada vai mudar ao meu redor,

eu sim,

voarei até um céu qualquer,

talvez seja mesmo o crepúsculo,

a morte natural do poeta.

Desinteresse


Deveria não saber falar de nenhum amor,

deveria não saber mostrar meus sentimentos,

deveria entender de não entender a paixão.

Deixo que meu corpo ultrapasse todos os seus limites,

o êxtase não é o limite da alma,

divide fronteira entre um e outro sentimento.

Sou o espírito que voa entre espaços desconhecidos,

a benção estranha que molha de suor depois do amor,

o entendimento entre o corpo e os desejos da carne.

Que meu corpo repouse para sempre sobre o outro amor,

que outro amor repouse para sempre na minha paixão,

que não entendamos nada,

e de nada viver deste puro amor.